Dia dos Pais 2026 · Cemitério Vertical de Curitiba

No Dia dos Pais, o Vertical celebrou tudo que ele deixou — nos gestos, no silêncio, na presença que dispensava palavras.

Evento gratuito reuniu famílias de toda Curitiba em um domingo inteiro de música, homenagem e celebração do amor paterno sob o tema “O amor de pai fala por gestos. E os gestos ficam para sempre.

Tem coisas que o pai nunca disse com palavras. O pneu trocado sem avisar. A mão no ombro na hora certa. O silêncio que ficava do lado quando a gente não precisava de conselho — só de companhia. O café já pronto antes de todo mundo acordar.

No último domingo, dia 9 de agosto, o Cemitério Vertical de Curitiba abriu as portas para celebrar exatamente isso — o amor que ele demonstrou de outras formas. E o que aconteceu ao longo do day foi uma confirmação do que a instituição tem construído com cada evento: que é possível transformar a saudade em celebração, e o luto em reconhecimento de tudo que ficou.

Com o tema “O amor de pai fala por gestos. E os gestos ficam para sempre”, o evento de Dia dos Pais 2026 foi a edição mais completa já realizada pelo Vertical para a data — e os corredores e o Auditório cheios de famílias que não tinham pressa de ir embora, ao fim da tarde, disseram mais do que qualquer número poderia dizer.


Uma manhã que começou com música e terminou em lágrimas — as melhores

Às 8h30, antes mesmo de a programação oficial começar, o Auditório Central já recebia os primeiros visitantes ao som do violino. Os Sons do Coração criaram desde o primeiro instante a atmosfera que o dia pedia: suave, acolhedora, presente. Muitas famílias chegaram em silêncio e ficaram paradas por um momento, como se precisassem de um instante para se preparar para tudo que estavam carregando.


Às 9 horas, o estacionamento frontal, próximo à entrada principal, ganhou vida com a abertura da Feira Social Pet. Com a presença da ONG Me Adote, expositores e animais disponíveis para adoção, o espaço reuniu um perfil diferente de visitante — mais leve, mais curioso — e criou um contraponto de alegria que equilibrou a emotividade do restante da programação. Algumas famílias chegaram pela feira e ficaram para o dia inteiro.

Às 10 horas, o Auditório Central se encheu para a Missa Solene em Homenagem aos Pais, celebrada pela Paróquia Santa Bertila. O espaço ficou repleto. Houve um momento, durante a homilia, em que o silêncio tomou conta de uma forma que não era ausência — era presença.
Era todo aquele amor que cada família estava carregando, junto num mesmo lugar, reconhecendo que não estava só.


E então chegou o momento mais esperado da manhã.

Às 11h15, as cerimonialistas do Vertical conduziram a primeira sessão das “Cartas que o Coração Escreve” — homenagens personalizadas, ao som suave do violino, construídas a partir do que cada família enviou sobre quem ele foi, sobre o que ele fez, sobre o que ficou. Um nome. Uma foto. E, a partir disso, uma carta que o coração ditou.

Houve quem segurasse a mão de quem estava do lado. Houve quem fechasse os olhos. Houve quem deixasse as lágrimas virem sem tentar esconder. E houve quem, ao final, procurasse as cerimonialistas só para dizer obrigada — como se aquelas palavras tivessem dito o que eles próprios não conseguiam encontrar.


Uma tarde de música, propósito e afeto

Às 13h30, os Sons do Coração retornaram ao Auditório Central para abrir a tarde com uma apresentação musical ao violino. A programação da tarde foi pensada para quem chegou mais cedo e queria ficar — e também para quem só conseguiu vir depois do almoço.

Às 14h30, a ONG Me Adote subiu ao palco com uma palestra sobre adoção responsável, em continuidade à Feira Social Pet. O espaço ficou atento. Houve perguntas, houve interesse genuíno — e, ao fim, alguns visitantes voltaram ao estacionamento frontal para conversar com os responsáveis pelos animais disponíveis para adoção.

Às 15h30, foi a vez do Duo de Piano e Voz tomar o Auditório. A apresentação criou um dos momentos mais tranquilos e mais belos da tarde — aquele tipo de música que não exige nada do ouvinte além de estar presente. Algumas pessoas sentaram, fecharam os olhos, e simplesmente ficaram. Para muitos, esse foi o espaço que o dia deu para sentir tudo de uma vez, com calma.

E às 16h15, as “Cartas que o Coração Escreve” retornaram — para quem quis encerrar o Dia dos Pais com as palavras que o coração guardou. A segunda sessão chegou com o dia já mais maduro, com a tarde pesada de emoção acumulada. Para muitos, foi o momento mais intenso do dia.


O que estava em todo lugar, o dia inteiro

Das 9h às 18h, os espaços internos do Vertical foram um convite contínuo à memória e ao afeto.

O Cantinho do Café acolheu quem precisava de uma pausa — e as conversas que aconteceram ali, entre uma xícara e outra, foram muitas vezes tão significativas quanto qualquer atração da programação oficial.

O Painel de Homenagens cresceu ao longo do dia. Cada mensagem deixada ali era um gesto — pequeno, silencioso, inteiro. Exatamente do jeito que ele amava.

O violino itinerante dos Sons do Coração percorreu os corredores, os espaços entre as atrações — levando a melodia até onde cada família estava, sem aviso, como uma presença que aparece quando a gente menos espera e mais precisa.

E no coração do espaço, a instalação “O Lugar que ele Sempre Ocupou” — uma cadeira iluminada, cercada de cartões de homenagem escritos à mão pelas famílias que passaram por ali ao longo do dia. A proposta era simples: todo pai tinha um lugar. Uma cadeira na cabeceira da mesa, uma poltrona de frente pra TV, um canto do sofá com o controle do lado. Um lugar que ficou sendo dele — que todo mundo desvia sem pensar, que ninguém senta, que continua sendo o lugar dele.

Muitas pessoas ficaram paradas diante da instalação por longos minutos. Algumas tiraram foto. Algumas escreveram seus cartões em silêncio. Uma senhora ficou um tempo olhando, sem escrever nada, e quando foi embora disse apenas: “é exatamente assim.”


O que fica

Mais do que uma programação bem executada, o que o Vertical construiu neste domingo foi mais um argumento vivo para o que a instituição acredita: que os espaços de memória podem — e devem — ser lugares de celebração da vida.

O amor de pai raramente vem com legenda.

Ele aparece nos gestos que a gente só aprende a reconhecer muito tempo depois — quando percebe que está fazendo o mesmo, e que nem sabe quando começou.

O que este Dia dos Pais revelou, em cada sessão das Cartas, em cada nota do violino, em cada cartão deixado na instalação, é que esses gestos não foram embora. Eles ficaram. Ficaram em quem foi amado por eles — e continuam se repetindo, de geração em geração, sem pedir licença.

O amor de pai fala por gestos. E os gestos ficam para sempre.

Toda a programação de homenagens foi transmitida ao vivo pelas redes sociais do Vertical.


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